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Urban
Sindicato Rural de Anápolis

Trajetória épica de um pioneiro

 

Episódios de pioneirismo e empreendedorismo, coragem e determinação, traduzem o resgate da saga de um bandeirante do Século 20, que influenciou o desenvolvimento da região do Vale da Serra da Mesa e do Norte Goiano e sua integração com os grandes centros regionais. Signatário de uma trajetória épica nos primórdios do Expresso São José do Tocantins, em 1957, Vandir Lopes demorava praticamente um dia inteiro para percorrer os 240 quilômetros da esburacada, lamacenta e mal traçada rodovia BR 414, entre Anápolis e Niquelândia. Penetrar aquele caminho inóspito no meio do nada era o grande desafio da pequena empresa, constituída por um único ônibus e apenas um operador.

Dono, motorista, cobrador, mecânico e lavador da lendária jardineira adaptada para o transporte de passageiros, o personagem desta história de superação e conquista escolhera o caminho mais difícil dos rincões de Goiás para edificar o seu futuro. Quantas viagens praticamente sem passageiros. Tantas vezes atolado no meio da estrada. Passar por pequenas localidades como Dois Irmãos e Quebra Linha era uma rota que não despertava o interesse de nenhum outro empresário do ramo de transportes. Dificuldades imensas não desanimavam o jovem de 28 anos, que acreditava no potencial de Niquelândia, um município gigantesco com quase 10 milhões de quilômetros quadrados, o maior do Estado de Goiás.

A grande riqueza de Niquelândia – uma das maiores reservas de níquel do mundo – estava debaixo da terra rica, porém quase selvagem, onde faltava quase tudo. Naquele cenário, um homem à frente de seu tempo resistia em crescer junto com o município e superar a falta de interesse dos governantes em consolidar o asfaltamento da BR 414 e tirar aquela região do isolamento. Visionário e obstinado, Vandir não desistia. O Expresso São José do Tocantins persistia na luta pela integração de Niquelândia e de sua vasta região agrícola com Anápolis e Goiânia.

O tempo fluiu… Sempre fiel à rota que escolhera para o seu negócio e solidário ao povo sofrido com as deficiências daquela região abandonada, ele venceu os obstáculos de seu caminho. Apegado à região, fez-se proprietário de terras e dedicou-se à criação de gado. Com um pé na estrada e outro na fazenda, Vandir trabalhou décadas pelo desenvolvimento de Niquelândia e da região da Serra da Mesa, gerando empregos e divisas, sem se esquecer de Anápolis, onde centralizou os seus negócios.

O Expresso São José do Tocantins prosperar e construiu em Anápolis a primeira garagem. Logo ampliou a sua frota para atingir distâncias e roteiros diversos e mais extensos. Empreendedor nato, obcecado pelo trabalho e autodidata de inteligência rara, tornou-se um empresário poderoso, sem afastava-se das suas origens. Conta-se que ele tinha o hábito de embarcar em um de seus ônibus, aleatoriamente, como cobrador, para conhecer a média de passageiros da linha e diligenciar a honestidade de seus colaboradores. No volante de um ônibus ele encontrou o seu paradigma, ainda moço, e no viver de seus sonhos e na senda do trabalho tornou-se um dos maiores empresários do setor de transporte de passageiros do Centro-Oeste e do Norte do Brasil, com a participação decisiva dos filhos Luciano Lopes e Vandir Júnior, que herdaram a sua vocação pelo trabalho e seu tino empreendedor. Luciano aparece na foto em destaque com o pai.

A escalada majestática do empresa evoluiu para o Grupo São José, uma das empresas do setor de transporte de passageiros que mais crescem no Brasil, com atuação em Goiás, Tocantins e Distrito Federal,  gerando mais de 2,8 mil empregos diretos. Sua frota de mais de 1,2 mil ônibus percorre mais de 5 milhões de quilômetros por mês. Entre a determinação e a coragem do fundador e a experiência e o arrojo dos atuais diretores, seis décadas de história materializada pela modernidade da Urban, que completa o seu primeiro ano vencendo desafios, como ensina o legendário Vandir Lopes. Traço forte da sua personalidade relevante, aos 86 anos, a persistência é a marca do sucesso do Grupo São José, onde a jardineira solitária simboliza o sonho transformado em realidade pelo trabalho incessante e pela fé no futuro.

 

MANOEL VANDERIC – jornalista

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