Urban
Grupo Vibracom
FAMA

Polo logístico sofre ameaças para se consolidar

Artigo WILSON DE OLIVEIRA

Em 2014, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) realizou a primeira edição do programa polos industriais, com o objetivo de obter um raio-x dos distritos industriais goianos e, a partir daí, buscar soluções aos problemas de cada um dentro das esferas municipal, estadual e federal. O Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), um dos maiores polos industriais do interior brasileiro, foi o primeiro a passar por esta agenda elaborada pela Federação, capitaneada pelo presidente Pedro Alves.

No auditório da administração do DAIA, reunimos, num dia todo de trabalho, representantes dos governos municipal, estadual e federal e de empresas ligadas ao distrito. Conforme as demandas eram apresentadas às autoridades, de acordo com o estudo da Fieg, as mesmas eram questionadas a respeito das soluções e possíveis prazos de atendimento. Ao final de cada exposição, foi elaborado um documento onde todos assinaram, firmando compromisso com o que haviam exposto. Posteriormente, passamos a acompanhar os resultados. Felizmente, tivemos muitas conquistas. Uma delas, uma reivindicação antiga dos empresários do DAIA, foi a conclusão do viaduto que dá acesso ao distrito. Porém, muitas coisas, infelizmente, ficaram em promessas, apesar do nosso esforço.

Quase quatro anos depois daquele encontro, alguns problemas persistem e algumas preocupações se tornaram até maiores, colocando em risco o potencial logístico de Anápolis, que pode ser um carro chefe não apenas para a economia anapolina, mas de todo Estado de Goiás. Afinal, o Município dá importante contribuição para a conformação do PIB do Estado – cerca de 7,7% – além de ser um dos maiores arrecadadores do ICMS e ter uma participação importante, também, em relação aos negócios internacionais, ou seja, as importações e exportações.

Recentemente, tivemos uma reunião no Porto Seco Centro-Oeste, em que tive a oportunidade de representar a Fieg, juntamente com o nosso presidente do Conselho Temático de Infraestrutura, Célio Eustáquio. Lá, tivemos a presença da senadora Lúcia Vânia; do secretário estadual de Desenvolvimento, Francisco Pontes; do prefeito Roberto Naves; da direção do Porto Seco; representante da Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT; de operadores de logística, como a Hamburg Sud, enfim, um encontro de peso onde discutimos a paralisação do transporte por meio de container pela VLI, que opera na Ferrovia Centro-Atlântica. Dada a gravidade da situação, ficou definido que a questão deve ser levada ao conhecimento do Presidente da República, Michel Temer, porque é uma questão que afeta a competividade do Estado de Goiás. A alegação é que não estaria havendo demanda. Porém, constatou-se que a tarifa neste modal estaria sendo feita com valor acima do valor do transporte por caminhão. Isso altera toda a lógica, já que o transporte ferroviário, por suas características, tem custo bem menor e, por isso, oferece mais condições competitivas. Mas, o fato é que houve um rompimento unilateral e a VLI deveria ter, ao menos, comunicado à agência reguladora, no caso, a ANTT, que deveria e deve, por sua vez, fiscalizar e exigir o cumprimento das obrigações contratuais, a fim de não prejudicar o setor produtivo que depende da ferrovia.

Nossas preocupações vão mais além, porque o problema com a Ferrovia Centro-Atlântica não é único. A Ferrovia Norte-Sul, inaugurada em 2014, no mesmo ano em que realizamos o nosso seminário, não saiu definitivamente do papel, porque não se definiu um modelo de gestão para as suas operações. Também não aconteceu e não se sabe quando vai acontecer, o edital de concessão. Um investimento bilionário feito com o dinheiro de todos nós brasileiros, contribuintes, que por hora está praticamente parado, enquanto deveria estar servindo para produzir riquezas.

Além disso, em 2010, tivemos a concessão da rodovia BR-153, no trecho de Anápolis a Porangatu, para ser explorado pela iniciativa privada, com a contrapartida de investimentos na sua recuperação, duplicação e outras benfeitorias e serviços. Mas isso não se viabilizou e, no ano passado, o presidente Michel Temer decretou a caducidade do contrato firmado com a Galvão. A BR-153 está praticamente deteriorada, causando prejuízos e mortes em acidentes. O que era para ser uma solução, se tornou um problema maior e mais grave. Há, ainda, informação de que a concessionária da BR-060 tem dificuldades em cumprir, por uma série de questões, os investimentos que deveriam ser feitos nos trechos jurisdicionados a esta concessão.

De outra ponta, temos alguns investimentos do Estado que não se concretizaram, como o Aeroporto de Cargas e a Plataforma Logística, que teve parte de sua infraestrutura inaugurada em 2007 e, hoje, está lá obsoleta, enquanto o Município necessita de áreas para fazer a expansão industrial. Passados mais de 10 anos, foi definido o modelo de gestão e de cessão. Quanto tempo ainda vamos levar para ver este sonho do nosso decano da indústria, o Capitão Waldyr O´Dwyer, ser realizado?

Tudo isso, somado, é um prejuízo muito grande para o polo logístico que, reforço, não é de Anápolis, mas de Goiás. Sua relevância vai muito além das fronteiras do Município. Infelizmente, ao que parece, falta vontade política para se enxergar isso. Mas, de nossa parte, de parte da Fieg, o empenho vai continuar para que este polo logístico, importante para Goiás e para o Brasil, venha se materializar. E, quando isso acontecer, veremos que a equação da competividade, que nada mais é do que qualidade e preço, vai sobrepor e emergir ainda mais o Estado no cenário econômico, gerando novos investimentos, mais geração de emprego, renda e divisas. É assim que a engrenagem do progresso gira. Não podemos ficar no atraso, Anápolis e Goiás não podem sair do trilho do desenvolvimento.

Wilson de Oliveira é empresário, 1º Vice-Presidente da Fieg; Presidente da Fieg Regional Anápolis e do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Anápolis (SindAlimentos)