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História e Evolução

I – Fim do ouro, início de Anápolis

O primeiro registro escrito que a história guardou sobre Anápolis é do naturalista francês Auguste Saint-Hilaire que passou na região, em 1819. Ele pernoitou na fazenda Antas e em seu diário de viagem anotou: “…era um engenho de açúcar, dotado de um rancho muito limpo, no qual nos alojamos”. Esta fazenda era banhada pelo riacho que lhe dava nome.

Os habitantes originais das terras que deram origem a Anápolis eram tribos indígenas, dentre as quais caiapós, croás e goyá. O ouro, descoberto no Planalto Central, fazia afluir gente das mais diferentes províncias para localidades goianas, como Meia Ponte (Pirenópolis), Vila Boa (Cidade de Goiás), Corumbá de Goiás, Santa Cruz, Jaraguá, dentre outras. A presença de garimpeiros provocava o aparecimento de negociantes, mascates etc. Na região de Anápolis, rica em água e matas densas, entretanto, inexistia ouro. À primeira vista a ausência do metal precioso e que implicava um fator negativo, foi superada pela exuberância da terra, o que contribuiu positivamente para a fixação humana.

As margens de cursos de água como o Antas, João Cesário, Góis, Capuava, Água Fria se revelavam sítios de descanso e referência para os viajantes. Por volta de 1800, ia se extenuando a presença do ouro, garimpeiros e outros viajantes decidiram permanecer por aqui, em razão do lugar ser aprazível e bom para o cultivo e a pecuária. A região era de domínio de Meia Ponte, hoje Pirenópolis.

 

II – A influência religiosa

Já em 1833, os fazendeiros fixados na região que daria surgimento a Anápolis, realizavam em casa do fazendeiro Manoel Rodrigues dos Santos, novenas ou se reuniam para orações. A fazenda desse homem religioso ficava na cabeceira do Riacho das Antas e em 1859, suas terras abrigavam mais de 15 moradias.

 


GOMES DE SOUZA RAMOS

No ano de 1870, o tropeiro Gomes de Souza Ramos havia se mudado de Bonfim para o lugarejo que haveria de se transformar na progressista Anápolis. Homem cativante e influente, ele entusiasmou fazendeiros locais, entre eles Manoel Rodrigues dos Santos, a doarem uma área para a formação do patrimônio de Santana. O documento nesse sentido data de 25 de abril daquele ano. Na gleba doada, Gomes de Souza Ramos construiu a capela dedicada a Santana, que ficou pronta no ano seguinte – feito importante para o desenvolvimento do lugar.

 

III – Os processos para autonomia

Em 1873, o povoado era elevado a Freguesia de Santana das Antas, pela Lei Provincial 514, de 6 de agosto daquele ano. À época, a freguesia era constituída de 8.096 habitantes. O empenho de Gomes de Souza Ramos para este passo na história da cidade foi marcante.

 


ZECA BATISTA

Nomeado para o cargo de professor, José da Silva Batista (Zeca Batista), transferiu residência de Pirenópolis para Antas, a 28 de fevereiro de 1882. Homem culto, Zeca Batista, quando chegou à Freguesia tornou-se logo pessoa popular e bem quista. À falta de médico e de farmacêutico ele atendia doente, receitava medicamentos e também era comerciante.

A aproximação entre Gomes de Souza Ramos e Zeca Batista se revelou uma união de forças e de inteligência para a história do lugar. Esses dois chefes políticos envidaram esforços para a elevação da freguesia a vila. Com o flagrante desenvolvimento do lugar, mais o prestígio de que os dois desfrutavam associado ao auxílio de pessoas de projeção junto ao governo da Província, a elevação a vila chegou poucos anos depois, com a assinatura da Lei 811, de 15 de dezembro de 1887.

A efetiva instalação da vila foi um processo demorado e só se daria cinco anos depois. Isso se deveu a fatos de amplitude nacional à época. O primeiro deles a Abolição da Escravatura em 1888. Ano seguinte, se deu a Proclamação da República. Este último fato histórico carreou mudanças profundas nas leis e nas instituições brasileiras.

No dia 10 de março de 1892 foi instalada a vila, desmembrando-se de Pirenópolis, conquistando autonomia e independência política. Para presidir a Junta Administrativa foi nomeado Zeca Batista. Os demais membros indicados foram: Modesto Sardinha de Siqueira, Henrique Domingues de Sousa, Lopo de Sousa Ramos e Francisco da Luz Bastos

No ano seguinte, em 1893, houve o primeiro pleito para intendente e conselheiros. Venceu a eleição, o jovem Lopo de Souza Ramos. Assim, aos 25 anos de idade, foi ele o primeiro intendente eleito. Os conselheiros também eleitos, foram: Antônio Crispim de Sousa, Teodoro da Silva, Vicente Gonçalves de Almeida, Floro Santana Ramos, Modesto Sardinha de Siqueira e Antônio Batista Arantes.

 

A ESCOLHA DE SANTA ANA

Cidade que já nos seus albores elegia o sentimento e a devoção religiosa como prática, há relatos de que a mãe de Gomes de Souza Ramos, Da. Ana das Dores de Almeida, mulher religiosa, teve influência na designação histórica de Anápolis.
Conta a tradição que, em 1859, a fazendeira Ana das Dores viajava desde Jaraguá com destino a Bonfim (atual Silvânia) conduzindo grande tropa. No sítio onde hoje se ergue a cidade de Anápolis, fez-se parada para descanso. No momento em que foi determinado que retomassem a caminhada, carregadores anunciaram a Da. Ana que uma das mulas havia desaparecido. Com efeito, a fazendeira deu falta da montaria que conduzia a imagem de Santa Ana, pela qual ela nutria especial devoção.

Puseram-se a procurar. Quando a mula foi encontrada, por mais esforços se fizessem, o animal permaneceu imóvel. Aquilo já durava um tempo precioso à retomada da viagem. Da. Ana das Dores interpretou o acontecido como uma expressão da vontade da santa de ali permanecer. Em seu íntimo prometeu que se a alimária se pusesse a caminhar, ela mandaria construir um templo em homenagem a Santa Ana. Ato seguinte a mula pôs-se de pé e seguiram viagem.

Daí a razão por que em 1870, o filho de Da. Ana das Dores, Gomes de Souza Ramos, veio ter no lugarejo em que construiu a capela de Santa Ana. A capela foi o ponto de partida para o surgimento de Anápolis.

 

O MUNICÍPIO NO SÉCULO XX

A vila de Santana das Antas chegaria ao século seguinte ao de sua criação, incorporando desenvolvimento e alcance de conquistas de natureza política, urbana, econômica e social para o povo.

José da Silva Batista alcançou projeção na política local e em todo o Estado. Primeiro, conseguiu chegar à Assembleia Legislativa em 1895, como representante de Pirenópolis, Corumbá e Antas. Em 1905, elegeu-se à 3ª vice-presidência do estado e por vacância de cargo ocupou a presidência pelo espaço de três meses. Morreu em Anápolis a 7 de dezembro de 1910.

Assim é que já no século XX os antenses pleiteavam a elevação da vila à cidade. Isso aconteceu no ano de 1907, pela Lei 320 de 31 de julho. Foi assinada pelo então presidente do estado de Goiás, Miguel da Rocha Lima. O nome Anápolis, que continua a consagrar Santa Ana, surgiu pela primeira vez no jornal “Lavoura e Comércio”, de Uberaba, em uma de suas edições no ano de 1904. Naquele jornal mineiro, trabalhava Moisés Augusto de Santana. Este jornalista e político casou-se em Anápolis, aqui gerou dois filhos (Antensina e Joaquim Anapolino), exerceu vários cargos públicos e chegou a exercer a intendência (de janeiro a setembro de 1902). Foi ele quem, em um de seus artigos batizou Anápolis (Cidade de Ana).

 

À CUSTA DO POVO

Ao ser declarada vila, emancipando-se politicamente, a Lei 811, exigia em seu parágrafo 2º, que: “A vila será instalada depois que forem construídas ou adquiridas à custa do povo, a cadeia e a casa da câmara, assim como a casa para escola, conforme a Resolução provincial número 517, de 7 de julho de 1874”.

Fez-se mais. Tanto que em janeiro de 1888, surgiu a coletoria, para a qual o primeiro exator foi João Vaz da Costa.
A escola feminina pública foi criada já no final de 1891, para a qual foi nomeada a educadora Maria Elisa Crispim. A escola masculina já existia.

Em 1890, foi instalado o Correio, com três viagens por mês, da mala postal no percurso Antas-Pirenópolis e vice-versa.
Em questões de segurança pública, já nos tempos iniciais da freguesia de Santana das Antas, foi necessária a tomada de providências para manter a segurança dos habitantes. À falta de destacamento policial, nomeou-se inspetor de quarteirão, o fazendeiro Silvério Pedro da Silva. Auxiliado por alguns moradores, ele construiu, próximo ao largo de Santana, uma casa rústica que servia como casa de detenção.

Decorrido o prazo de cinco anos desde a elevação da freguesia a vila (1887), esta foi instalada em 10/março/1892.

 

DENOMINAÇÕES DA VILA

Até 1870 a região teve os seguintes nomes: Cabeceira do Rio das Antas, Sítio das Antas, Bairro das Antas, Góis, Bairro dos Rodrigues, Antas. Em 1871, chamou-se Capela de Santana das Antas.
Como Freguesia alterou sua denominação ao longo dos anos de 1873 a 1886.
Até então, chamada de arraial das Antas, foi criada em 6/agosto/1873, pela Resolução Provincial 514, a paróquia (que à época equivalia ao termo “freguesia”) com a denominação de Nossa Senhora Santana das Antas. Onze anos depois, a 19 de julho de 1884, a Lei 695, conferiu à freguesia de Santana das Antas, o topônimo de Santana dos Campos Ricos. Não durou muito.
Em observação à Lei 778, de 13 de novembro de 1886, o lugar voltou a denominação de freguesia de Santana das Antas. Assim perdurando até se tornar vila com o nome de Santana de Antas.

 

TIJOLOS NÃO EXISTIAM

Uma espécie de “tijolo” fabricado de terra batida servia para erguer as paredes na construção de casas em Anápolis. Outro modelo de construção naqueles tempos era o pau-a-pique: as paredes eram levantadas com ripas e varas tapadas com barro. Isto ainda é usado em certas povoações interioranas e assim era na cidade de Anápolis até o princípio do século XX, quando Francisco Silvério fez a grande inovação naquele tempo.

A primeira casa feita de alvenaria em Anápolis foi a de Francisco Silvério de Faria. Para tanto foram contratados os serviços de construtores em Ribeirão Preto (SP). Eram eles: Jacob Machiavelli e Antônio Vento.

Como em Anápolis não se usava tijolos, Francisco Silvério mandou instalar a primeira olaria que existiu na cidade. E ergueu-se a imponente casa, com as primeiras e muitas inovações já vistas por aqui: banheiro com vaso sanitário, lavabo, pia na cozinha. E mais: água encanada em toda a casa.

Para maior espanto da população não se empregou esteios, que eram paus fincados nas quinas das paredes das antigas construções para dar-lhes resistência, impedindo que essas mesmas construções desabassem.

 

LUZ ELÉTRICA

Francisco Silvério de Faria era um homem de larga visão e por consequência, amante do progresso. Em Anápolis ele foi delegado de polícia, juiz distrital e vice-intendente.

Depois de construir a primeira casa de alvenaria a ser edificada em Anápolis, suprida de água encanada, canalizada do Rego Grande, que corria em suas terras, pensou em algo inovador para Anápolis: a iluminação elétrica, que viria abolir em parte o uso de lamparinas, candeias e lampiões nos estabelecimentos e lares anapolinos. Isto em 1922.

Para tanto associou-se ao alemão Ralf Colemann e em seguida assinaram contrato com o intendente Odorico da Silva Leão, no dia 24 de março daquele ano. Da concepção à realização transcorreram dois anos.

A luz elétrica foi inaugurada na administração de Graciano Antônio da Silva (Coronel Sanito), a 9 de janeiro de 1924, em solenidade que se realizou no Salão Principal do Paço Municipal.

Surgia aí a Empresa Força e Luz de Anápolis, de Francisco Silvério e Ralf Colemann. O nome da empresa não fazia jus ao benefício a que dera origem na etapa inicial isto é, em 1924. De tal forma que se inaugurou a “luz elétrica”, apenas. A energia gerada não permitia ligar qualquer aparelho, servia apenas à iluminação. Depois com a instalação da hidrelétrica em outro manancial de água é que a capacidade geradora aumentou.