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Autonomia Política em Anápolis

Estabelecida a vila de Santana das Antas, aí se deu a emancipação política do município de Anápolis.

É quando o lugar deixou de ser tutelado pelo município-mãe, Meia Ponte (Pirenópolis). E por quê? É que a partir daí se deram as primeiras eleições para a intendência (a prefeitura) e para o conselho municipal (câmara de vereadores). Com estes dois poderes de governança constituídos, ou seja, o executivo (intendência) e o legislativo (conselho), a vida do povo de Santana das Antas passou a ser autoconduzida. Em outras palavras, estava criado o município e consequentemente, se deu a autonomia política.

A vila, criada em 15 de dezembro 1887 (Lei 811), foi instalada somente em 10 de março de 1892. Para administrá-la até a primeira eleição, foi nomeada uma junta administrativa, presidida ou chefiada por José Batista da Silva (Zeca Batista). Os demais integrantes eram: Modesto Sardinha de Siqueira, Lopo de Sousa Ramos, Francisco da Luz Bastos e Henrique Domingues de Sousa.

Naquele mesmo ano, houve eleição para a escolha do intendente e dos membros do conselho municipal. A intendência foi bem disputada, com sete concorrentes ao cargo, dentre eles Zeca Batista. Mas o vencedor foi um jovem de apenas 25 anos de idade, que era descendente de Gomes de Souza Ramos: Lopo de Sousa Ramos.

Para o conselho municipal elegeram-se Antônio Crispim de Sousa, Teodoro da Silva, Floro Santana Ramos, Vicente Gonçalves de Almeida, Antônio Batista Arantes e Modesto Sardinha de Siqueira.

 

A cidade

Portanto, em 1907, quando Anápolis se tornou cidade, já estava emancipada desde o século passado. No dia 31 de julho de cada ano, não se comemora a “emancipação política de Anápolis”, mas tão somente o aniversário da cidade. A significativa data de emancipação política de Anápolis há muito deixou de ser comemorada. Ela se deu legalmente, a 15/12/1887 com a assinatura da lei 811. Mas a emancipação de fato, foi em 1892.

De modo que a celebração da autonomia política de Anápolis ou foi esquecida ou mais propriamente confundida com o aniversário da elevação da vila à categoria de cidade.

 

Intendentes

Desde a instalação da vila, até os dias atuais, exerceram o poder executivo de Anápolis mais de 60 administradores (intendentes e prefeitos). É preciso ter em conta que dentre os administradores interinos, cujos períodos de ascensão pela vacância do cargo dos titulares, não há ainda um levantamento completo em relação às datas em que assumiram e permaneceram no cargo.

Entretanto, é conhecida a sua lista nominal: Adolfo da Silva Batista, Antônio Batista Arantes, Antônio de Sousa Ramos, Benedito Borges de Almeida, Brás Luís Gomes de Pina, Elizeu Jorge Campos, Fernão Ivan José Rodrigues, Francisco Silvério de Faria, Graciano Antônio da Silva, Luís Inácio de Bastos, Manoel Inácio de Bastos, Miguel Pereira de Sousa Dutra, Moisés Augusto de Santana, Plácido de Campos, Pedro Alexandrino da Costa, Pacífico Alves da Cruz, Teodoro da Costa Queiroz, Vespasiano da Silva Batista.

O primeiro intendente do município, após a elevação da vila à condição de cidade em 1907, foi Joaquim Prudêncio Batista eleito naquele mesmo ano. Ele administrou a cidade entre 1907/11.

 

Período revolucionário

Vitoriosa a Revolução de 30, em que se instalou o governo de Getúlio Vargas, surgiu a República Nova (1930/45). Em Goiás, Pedro Ludovico Teixeira tornou-se interventor. Para o cargo de intendente em Anápolis, foi nomeado pela Junta Governativa de Goiás, João Luiz de Oliveira.

O decreto 237, de 24 de novembro de 1930, em seu Art. 14º, determinou que “os atuais intendentes municipais” passassem a ter a denominação de prefeitos.

As nomeações em Anápolis perduraram até o retorno das eleições em 1947, em que Carlos de Pina (PR) foi eleito ao derrotar nas urnas Jonas Duarte (UDN) e tomar posse no final daquele mesmo ano até janeiro de 1951.

Esta situação de normalidade eleitoral perdurou mesmo depois da Revolução Militar de 31 de março de 1964, quando o último prefeito eleito nesta fase, foi José Batista Jr. (do partido do Movimento Democrático Brasileiro-MDB). Elegeu-se em 1972, tomou posse em janeiro de 1973 e foi cassado em 28 de agosto daquele ano. Na mesma data Anápolis foi declarada “Área de Interesse da Segurança Nacional”, pelo Decreto-Lei 1.284, assinado pelo presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici.

De 1973 até 1985, as nomeações obedeciam a um rito ditatorial. Os líderes da direita anapolina ou do partido da Arena, compunham uma lista de três nomes, repassavam-na ao governo do estado. A lista recebia algumas observações e era remetida a Brasília. O escolhido era aprovado, depois de passar pelo crivo do Serviço Nacional de Informações-SNI. De volta a Goiânia, era “nomeado” pelo governo do estado.

A cidade retomou a sua normalidade democrática através da Lei 7.303, de 1º de abril de 1985, assinada pelo presidente José Sarney. O último prefeito nomeado pelo regime militar foi Olímpio Ferreira Sobrinho (Arena), sendo substituído em caráter de transição, por Anapolino Silvério de Faria (1983/86) representando o MDB. Realizadas as primeiras eleições para prefeito em 15 de novembro de 1985, as primeiras após o regime de exceção, que perdurou de 1964 até aquele ano, foi eleito Adhemar Santillo.

A partir daí, há um curioso aspecto na sucessão municipal em Anápolis. Anapolino Silvério de Faria, que fora nomeado em caráter de transição, é eleito. Wolney Martins de Araújo, nomeado (1980/82) é eleito sucedendo a Anapolino de Faria. Adhemar Santillo, eleito pela segunda vez, sucede a Wolney Martins.

A partir de 1986 a administração municipal em Anápolis registra um tom de normalidade, o que perdurou até a eleição de Ernani José de Paula, em 2000. Terminou cassado antes de completar seu segundo ano na prefeitura. Houve a intervenção estadual pedida pelo povo em abaixo-assinado ao governador Marconi Perillo. Depois disso, reapareceu a normalidade na vida administrativa de Anápolis. O vice Pedro Sayum assumiu e completou o mandato de Ernani de Paula. Eleito logo em seguida, Sayum governou até a posse de Antônio Roberto Gomide, que renunciou para candidatar-se a ao cargo de Governador. O vice João Gomes assumiu e administrou Anápolis até a posse de Roberto Naves, atual prefeito. (Júlio Alves)

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