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Anápolis é, de fato, Portal da Amazônia

Exatamente no distrito de Interlândia, a hidrografia registra o curioso fenômeno do divisor de águas das bacias Amazônica e Platina, que configura Anápolis como o verdadeiro Portal da Amazônia. A água que escorre eventualmente pela BR 153, através da inclinação da pista, pode ser drenada para o Norte e para o Sul do Brasil. E assim vão abastecer as bacias dos rios Paraná e Tocantins, grandes tributários da bacia Platina e da Bacia Amazônica.

Com origem no Pico dos Pireneus, onde nascem os rios das Almas e Corumbá, o Espigão Roncador de mais de 250 quilômetros de extensão, avança entre rios e córregos, sem cruzar sequer um fio de água. Passa por Interlândia, Miranápolis, Anápolis, Daia, Gameleira, Leopoldo de Bulhões, Silvânia, Vianópolis e Ipameri até atingir Roncador, localidade que lhe empresta o nome.

Por este caminho desconhecido, mas de fácil penetração para as tropas de portugueses prospectores do ouro e das tralhas dos  garimpeiros que chegaram à região dos Pireneus, no início dos anos 1700, primórdios de Pirenópolis e Corumbá.  O divisor de vertentes também protagonizou o surgimento de Anápolis, na segunda metade dos anos 1800, ao atrair tropeiros para a troca de mercadorias às margens do Ribeirão das Antas. Nesta rota foi implantada a Estrada de Ferro, que chegou a Anápolis, em 1935, e a rodovia GO 330, asfaltada no início dos anos 1980.

Mais do que referencial geográfico, o divisor de águas impactou a economia de Anápolis, ao longo de sua história, ao se tornar diferencial de progresso a partir do advento da BR 153, no final dos anos 1950. Embora distante do paralelo 13, limite sul da Amazônia Legal, Anápolis tem influência econômica significativa na economia da Região Amazônica, tanto na exportação como na importação, através do imenso corredor da BR 153 Norte. Anápolis é indiscutivelmente o Portal da Amazônia, importante potencial econômico, com foco em turismo e consumo, a partir da consolidação do Centro de Convenções de Anápolis e da duplicação da BR 153 até Aliança do Tocantins.

Além de fomentar vínculos com a Região Norte, o Portal da Amazônia insere Anápolis na lista dos municípios com direito a pleitear recursos federais destinados à preservação ambiental, especialmente para a proteção dos recursos hídricos, ao mesmo tempo em que fortalece a mobilização pelo majestático projeto do entreposto da zona franca de Manaus. Com a ZPE, as duas mil carretas que fazem as rotas da zona franca, pela BR 153, transportando 50 mil toneladas de mercadorias, mensalmente, poderão operar suas cargas em Anápolis, tanto na ida como na vinda, gerando um negócio estimado em R$ 10 bilhões por ano e milhares de empregos.

Anápolis fornece suas águas também para a Bacia Platina através de tributários do Rio Corumbá, afluente do Rio Paranaíba. Entre os principais, o Antas, que corta a cidade, o Piancó, que abastece a população anapolina, e o Catingueiro, que alimenta o manancial do João Leite.

As nascentes mais altas da Bacia Amazônica, em sua porção brasileira, e da Bacia Platina brotam em regiões vizinhas e percorrem milhares de quilômetros em direções opostas até caírem no Oceano Atlântico.  Anápolis, caixa d’água do Brasil, leva sua preciosa riqueza hídrica a vários estados brasileiros, além de contribuir com o manancial do Aquífero Guarany, maior reservatório de água doce do planeta Terra.

Na contramão do futuro, diante da terrível ameaça da escassez de água, Anápolis não pode abrir mão de políticas públicas e ações de cidadania voltadas para rigorosa a proteção ambiental. Um município excepcionalmente premiado pela natureza deveria tratar melhor os recursos naturais, especialmente a água, fonte da vida e do desenvolvimento.

MANOEL VANDERIC – jornalista