FAMA
LAB EVANGÉLICO
ABIMDE

A Influência da Ferrovia

A chegada da estrada de ferro a Anápolis foi, para a época vivida a partir dos anos 1935, a indução de um ciclo de avanço para a cidade, sobretudo no conjunto das atividades econômicas. Já a partir de 1932, quando se deu o início do prolongamento dos trilhos de Leopoldo de Bulhões a Anápolis, a Estrada de Ferro Goiás-EFG encaminhou a Anápolis imediata valorização imobiliária e aumento populacional. À migração provinda de diferentes estados brasileiros juntou-se a imigração (japoneses e italianos, sobretudo), marcante nos primeiros anos antes e após a inauguração da EFG.

Quando a “Goyaz” chegou, em Anápolis já operavam indústrias de beneficiamento de cereais. A ferrovia incorporou dois valores às antigas “máchinas” de beneficiar arroz, café, feijão: o aumento no número de empresas desse grupo e a diminuição no custo do transporte. A ferrovia foi o instrumento que permitiu a agroexportação, para centros como Minas Gerais e São Paulo. E assim, pelos trilhos, a economia goiana se expandiu para outros centros do país, mas capitaneada por Anápolis.

A expansão dos trilhos desde Araguari, no Triângulo Mineiro, em solo goiano, incutiu na economia deste estado, um crescimento tal que incorporou Goiás – e particularmente Anápolis – à economia nacional. De 1910 a 1935, esta cidade deu grandes passos de desenvolvimento. A população urbana registrou aumento de cerca de 280%, ao passo que a população rural esteve perto dos 300%. Esta cresceu mais em razão da vinda de imigrantes provindos da Itália e do Japão. Eram mão de obra para a lavoura.

Resguardadas as necessárias proporções (sobretudo as de natureza tecnológica), era algo assemelhado ao que se vê hoje com a implantação do Daia, a que se foram incorporando o Porto Seco, Polo Farmacêutico e com o surgimento da Plataforma Multimodal, junto ao anúncio de outros aparatos da indústria e da logística.

De 10 a 35 dos anos 1900, nesta cidade se instalou a energia elétrica, foi adotada a alvenaria para a edificação de imóveis, instalação de empresa de renome nacional como as Casas Pernambucanas, o Correio Aéreo Nacional-CAN passava a operar regularmente, jornais anapolinos eram editados, havia cinema e dezenas de famílias se transferiam para a “novel” Anápolis.

EVOLUÇÃO COMERCIAL

A família Pina deu de si, ao longo do tempo, uma das maiores e melhores contribuições para o avanço de Anápolis – fosse na atividade industrial, na rota do comércio ou na diretriz da política. Provindos de Pirenópolis, os Pina começara a se radicar em Anápolis, há mais de cem anos.

Foi em 1911 que Antônio Luiz de Pina marcou um novo tempo na vida comercial de Anápolis. A “Rainha da Barateza” era, na época, um nome sem par no comércio de todo o estado de Goiás. Depois dele, radicaram-se em Anápolis seus irmãos Achiles, Carlos (Carrinho) e Augusto (Agostinho).

O comércio fez nascer em 1935, a Associação Comercial de Anápolis, que evoluiu para Associação Comercial e Industrial de Anápolis – uma das mais pujantes e ativas entidades locais.

O prefeito José Fernandes Valente é que realizou o sonho de seu antecessor João Luiz de Oliveira, de implantar o telefone na cidade de Anápolis. Valente viajava no trem da Estrada de Ferro Goiás e no vagão, conheceu Washington Carvalho. Este era um empresário do ramo de telefonia e morava em Minas Gerais. A convite do prefeito de Anápolis, e mediante contrato de concessão, empreendeu a instalação da telefonia em Anápolis, que começou a funcionar em 1940. Era o telefone do tipo manual a magneto e funcionava com auxílio da telefonista.

Em dezembro de 1954, o vice-governador Jonas Duarte, no exercício do governo de Goiás, enviou à Assembleia Legislativa projeto de Lei autorizando a instalação de telefones automáticos em Anápolis. A prefeitura encampou a empresa telefônica que pertencia até então a Washington Carvalho.

Em 1951, na administração de Carlos de Pina, foi inaugurado o abastecimento de água na cidade de Anápolis. Mas era muito restrito o alcance dessa oferta de água tratada e somente uma parte mínima da população tinha acesso a ele.

O abastecimento de água foi iniciativa da prefeitura que instalou uma superintendência específica para regê-lo. Mais tarde o governo do estado encampou este serviço e a Saneamento de Goiás assumiu a sua gestão. Foi durante o governo de Henrique Santillo (1987/91) que se fez em Anápolis a chamada “Obra do Século” implantou-se a rede de esgoto em 100% da cidade (àquela época), pois até então a rede era de apenas 5% ou seja, reprimida há quase quatro décadas.

A estrada de ferro saiu de cena com o avanço de transporte rodoviário e volta ao protagonismo da economia  do município a partir da operação comercial da Ferrovia Norte-Sul,  em conexão com a Ferrovia Centro-Atlântica, no Porto Seco Centro-Oeste. Com a formação de um  grande corredor  do agronegócio, a  FNS vai integrar Anápolis ao Porto de Itaqui-MA, enquanto FCA faz no ramal  de Anápolis 40% de suas operações em  todo o Brasil.

O tempos são outros, mas Anápolis continua nos trilhos do progresso.

 

%d blogueiros gostam disto: